Toda clínica que atende convênio já viveu a mesma cena: o procedimento sai autorizado, o paciente é atendido e, semanas depois, o pagamento chega cortado. As glosas de planos de saúde consomem tempo do financeiro, atrasam o caixa e, na maioria dos casos, nunca são revertidas. Agora, uma proposta em análise na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pode mudar esse cenário: a operadora deixaria de poder glosar um procedimento que ela mesma autorizou, salvo divergência técnica comprovada em auditoria.
Neste artigo, explicamos o que está em jogo, por que a mudança importa tanto para o caixa da clínica e, por fim, um checklist para você se preparar desde já.
O que propõe a Consulta Pública 170 da ANS
Em 1º de abril de 2026, a ANS publicou no Diário Oficial da União a abertura da Consulta Pública nº 170. A proposta atualiza as regras de contrato escrito entre operadoras de planos de saúde e prestadores — como clínicas, hospitais e laboratórios — e reúne, num único ato normativo, as regras de celebração de contrato, rotina de faturamento, glosas, reajuste e fator de qualidade, revogando as RN 503/2022 e RN 512/2022, segundo análise da Machado Meyer.
O ponto central, porém, é outro: procedimento previamente autorizado pela operadora não poderia mais ser glosado, desde que a auditoria não aponte divergência técnica. Além disso, a minuta prevê contratos digitais, modelos alternativos de remuneração, acordos de compartilhamento de risco e mais transparência sobre reajuste e cancelamento de contrato, conforme detalha a Futuro da Saúde.
A consulta pública recebeu contribuições até 16 de maio de 2026. Pelo texto em análise, a norma entraria em vigor 180 dias após a publicação e valeria para contratos novos, além de cláusulas alteradas em contratos já existentes. Por isso, ainda que a versão final na ANS possa mudar detalhes, o sentido da mudança já está definido: menos glosa arbitrária, mais previsibilidade contratual.
Por que as glosas de planos de saúde pesam tanto no caixa
Na prática, a glosa raramente é só um número reduzido na fatura. Ela gera retrabalho: a equipe de faturamento precisa reunir prontuário, guia TISS e comprovante de autorização, montar o recurso e acompanhar o prazo de resposta da operadora. Enquanto isso, o valor fica parado — às vezes por meses.
Esse ciclo pesa ainda mais nas clínicas que não centralizam a documentação. Quando a autorização vive numa planilha, a guia noutro sistema e o prontuário num terceiro lugar, o recurso de glosa vira uma corrida contra o tempo. Como consequência, muita clínica simplesmente desiste de contestar valores pequenos, e a operadora acaba lucrando com a própria falha de processo do prestador.
Contratos digitais e modelos alternativos de remuneração
A minuta da ANS também mexe na relação contratual em si. Com contratos digitais, a formalização e a atualização de cláusulas ficam mais rápidas, o que reduz a dependência de papel e assinatura física. Já os modelos alternativos de remuneração — como pagamento por performance ou compartilhamento de risco — tendem a substituir aos poucos o modelo puramente por procedimento.
Na prática, isso significa mais transparência sobre índices de reajuste e regras de cancelamento, itens que hoje geram boa parte das disputas entre clínica e operadora. Ou seja, a proposta ataca o problema em duas frentes: a glosa em si e a relação contratual que a origina.
Checklist: como preparar sua clínica para a nova regra da ANS
- Revise os contratos vigentes com cada operadora e identifique cláusulas de glosa hoje pouco claras.
- Mapeie os motivos recorrentes de glosa dos últimos seis meses — divergência de código, falta de guia, ausência de autorização.
- Guarde o comprovante de autorização de cada procedimento vinculado ao prontuário do paciente, não em arquivo solto.
- Treine a equipe de faturamento no padrão TISS, já que erro de preenchimento continua sendo motivo legítimo de glosa técnica.
- Acompanhe a publicação da RN final no Diário Oficial e ajuste o fluxo interno assim que o texto definitivo sair.
- Simule o impacto dos modelos alternativos de remuneração no seu mix de convênios antes de renegociar contrato.
Como o BossMed ajuda a reduzir glosas de planos de saúde
Boa parte desse checklist depende menos de negociação e mais de organização de processo. Por isso, o BossMed reúne, num único sistema, tudo o que evita a glosa evitável:
- Módulo TISS integrado ao prontuário. A guia sai vinculada ao atendimento e à autorização prévia, o que elimina a divergência de dados entre setores.
- Gestão financeira e de faturamento. A clínica acompanha, em tempo real, quais guias estão pendentes, glosadas ou em recurso, sem depender de planilha paralela.
- Prontuário eletrônico rastreável. Cada autorização e cada registro clínico ficam documentados no mesmo lugar, prontos para sustentar um recurso de glosa quando necessário.
- Operação assistida por IA. A orientação de uso do sistema por IA ajuda a equipe de faturamento a seguir o processo correto desde o primeiro atendimento, reduzindo o erro que abre margem para glosa técnica.
Em resumo: quanto mais organizada a documentação do atendimento até a fatura, menor o espaço para a operadora glosar — com ou sem a nova regra da ANS. Para aprofundar o tema tributário que também impacta o faturamento das clínicas, vale conferir o artigo sobre IBS e CBS na nota fiscal.
Conclusão
A proposta da ANS ainda caminha para o texto final, mas o rumo já está claro: menos glosa sobre o que já foi autorizado e mais transparência na relação entre clínica e operadora. Enquanto a regra não sai, a defesa mais eficaz continua sendo a mesma — documentação organizada e processo de faturamento sem furo.
Quer reduzir a glosa evitável com um sistema que integra prontuário, TISS e financeiro? Fale com a equipe da BossMed e agende uma demonstração.
Fontes: ANS; Machado Meyer; Futuro da Saúde.
